Farmacêutico do Estado orienta sobre riscos da automedicação em casos de dengue e leptospirose
As fortes chuvas registradas nas últimas semanas em Mato Grosso acenderam um alerta para a saúde pública. O acúmulo de água e os alagamentos criam o cenário ideal para a proliferação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, e ampliam a exposição da população à água contaminada por urina de ratos, principal via de contágio da leptospirose. Diante desse cenário, o farmacêutico Dr. Menandes Neto, coordenador do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde de Mato Grosso (CIEVS-MT), faz um alerta sobre os riscos da automedicação — prática que pode agravar quadros clínicos e dificultar o diagnóstico correto.
Segundo o especialista, a farmácia costuma ser o primeiro destino de quem apresenta febre, dor no corpo e mal-estar. No entanto, a busca por alívio rápido pode esconder perigos. A automedicação pode mascarar sintomas importantes e atrasar a procura por atendimento médico, o que, em casos de dengue ou leptospirose, aumenta significativamente o risco de complicações graves. O Dr. Menandes Neto reforça que o uso de anti-inflamatórios e do ácido acetilsalicílico (AAS) é contraindicado em situações suspeitas dessas doenças, pois esses medicamentos elevam o risco de sangramentos e hemorragias, especialmente nos quadros de dengue.
Embora paracetamol e dipirona sejam opções mais seguras para o controle da febre e da dor, o farmacêutico ressalta que devem ser utilizados com cautela, preferencialmente com orientação profissional e hidratação adequada. É fundamental que a população saiba reconhecer os sinais de alerta: apesar de ambas as doenças apresentarem sintomas iniciais semelhantes, como febre alta e dor de cabeça, a leptospirose costuma manifestar sinais específicos, como dor intensa na panturrilha e olhos avermelhados. Diante desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato, já que o tempo de resposta terapêutica é decisivo para o sucesso do tratamento.
Além do cuidado com os medicamentos, a prevenção doméstica segue sendo a estratégia mais eficaz para conter o avanço das doenças. Medidas simples, como eliminar focos de água parada em calhas, vasos de plantas e recipientes abertos, são essenciais no combate ao mosquito transmissor da dengue. Em relação à leptospirose, o foco deve ser evitar o contato direto com lama ou água de enchentes. Quando a exposição for inevitável, o uso de botas e luvas de borracha é indispensável para reduzir o risco de contaminação. A orientação final é clara: ao apresentar os primeiros sintomas, não se automedique e procure a unidade de saúde mais próxima.
